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A cada 24 horas, duas crianças são estupradas em Mato Grosso do Sul

Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) são alarmantes: a cada 24 horas, duas crianças são estupradas em Mato Grosso do Sul. De janeiro a maio deste ano, 298 casos de abuso sexual a menores de 12 anos foram registrados.

Com a média de uma criança violentada sexualmente a cada dois dias, Campo Grande registrou 98 casos apenas nos primeiros cinco meses deste ano. Em todo o ano passado, 257 estupros ocorreram na Capital, o equivalente a 30,7% dos 835 casos computados em todo o Estado em 2021.

Durante o primeiro ano de pandemia de Covid-19, os dados são ainda mais substanciais, com 978 estupros registrados no Estado, sendo 295 em Campo Grande.  

De acordo com o balanço do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em âmbito nacional, a cada dez minutos uma menina ou uma mulher foi estuprada no Brasil em 2021, considerando apenas os casos que chegaram às autoridades policiais.

No ano passado, foram registrados 56.098 boletins de ocorrência de estupro, incluindo vulneráveis, apenas do gênero feminino. Se entre 2019 e 2020 houve uma queda de 12,1% nos registros de estupro de mulheres no País, entre 2020 e 2021 houve crescimento de 3,7% no número de casos.  

CAPITAL

Um dos setores mais afetados pela pandemia de coronavírus, a Educação terá pela frente um desafio ainda maior do que a recuperação educacional: o reparo socioemocional dos estudantes. 

Após a retomada das aulas presenciais na Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande, 29 casos de abuso sexual já foram identificados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) entre os meses de março e abril deste ano. É importante salientar que esses casos ocorreram fora do ambiente escolar.  

Ao Correio do Estado, a secretária municipal de Educação, Alelis Izabel de Oliveira, salientou que todas as denúncias feitas no ambiente escolar são encaminhadas para o Conselho Tutelar, para que em um segundo momento seja possível a abertura de investigação policial.  

“Por conta da pandemia, a escola se tornou um território seguro para denúncia. A criança tem de saber que, se alguém tocá-la nas partes íntimas, ela pode recorrer ao corpo docente para buscar ajuda”, disse a titular da Semed.

Conforme Oliveira, após os casos serem notificados, a Semed encaminha os alunos para atendimento psicológico, composto de 15 profissionais.  

O número, no entanto, não parece ser suficiente em um universo de 109 mil alunos e 13 mil servidores. A realidade aponta que um psicólogo é responsável, em média, por ajudar na restauração dos problemas emocionais de 8,1 mil pessoas.  

SINAIS DE VIOLÊNCIA

A psicóloga Izabelli Coleone explica que os pais precisam ficar atentos a qualquer sinal de mudança no comportamento dos filhos. Atitudes retraídas, dificuldade na comunicação ou isolamento podem ser alguns dos sinais de abuso sexual.  

“Quando uma criança entra em sofrimento, independentemente da razão, vemos mudanças no comportamento. Às vezes, ela pode ficar mais retraída, recusar o toque, ou ter receio de ficar sozinha, se o abusador, por exemplo, faz parte do convívio familiar”, ressaltou.  

De acordo com a titular da Semed, somente com o incentivo à denúncia da violência sexual praticada será possível diminuir os casos de abuso infantil. 

“Batemos na tecla de que temos que denunciar cada vez mais. Fazemos um papel de incentivo à denúncia, para que o número de abusos sexuais possa ser reduzido”, disse.  

CASOS MAIS RECENTES

Nas últimas semanas, pelo menos três supostos casos de abuso sexual em ambientes escolares foram denunciados em Campo Grande. Os mais recentes vieram à tona nesta quarta-feira (1º).  

Os supostos abusos sexuais teriam acontecido em duas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis). A Semed informou que já afastou as professoras assistentes investigadas do trabalho.  

O suposto crime na Emei Fátima de Jesus Diniz Silveira, localizada na Vila Nasser, teria ocorrido na segunda-feira (30). A vítima, de 3 anos, relatou o abuso para a mãe, que procurou a Polícia Civil na manhã de ontem. A menina já foi ouvida pelo setor psicossocial da Delegacia de Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Dpca).  

Em nota, a pasta esclareceu que tomou todas as providências em relação ao suposto abuso ocorrido na Emei Fátima de Jesus Diniz Silveira, localizada na Vila Nasser.  

“Também já foi registrado boletim de ocorrência pela família. Na esfera administrativa a Semed afastou a funcionária da unidade até a apuração dos fatos. Outro ponto é que a investigação cabe às autoridades competentes”, disse a nota.  

Ao Correio do Estado, a secretaria afirmou que já atua nas unidades oferecendo atendimento psicológico aos servidores e alunos, e também à família, caso precise. “A Semed prioriza a garantia integral e proteção da criança e repudia qualquer tipo de violência”, finalizou a nota.

Conforme o delegado da Depca, Marcelo Damasceno, o segundo relato de abuso sexual foi denunciado no fim da manhã de ontem, contra uma funcionária da Emei do Jardim Carioca.  

Em ambos os casos, as crianças foram encaminhadas para exame de corpo de delito, para comprovar se houve abuso sexual. A funcionária da Emei do Jardim Carioca apontada como causadora do abuso sexual já foi ouvida pelos policiais. Em relação ao caso da Vila Nasser, a acusada ainda será interrogada.  

“Quase em 100% dos casos, a palavra da vítima é o que prevalece. Por ora, o que sabemos é que a criança da Emei na Vila Nasser confirmou o abuso sexual ao nosso setor psicossocial. Em relação ao caso da Emei no Jardim Carioca, a criança não confirmou se foi violentada, mas, de qualquer forma, vamos instaurar o inquérito para investigação”, disse o delegado.  

No dia 12 de maio, pais de cinco crianças denunciaram uma professora da Escola Mon Petit, no Bairro Santa Fé, por abuso físico e sexual. O colégio afastou a educadora. Conforme o delegado Marcelo Damasceno, o caso está em fase de encerramento.  

“Na sexta-feira [3], vamos divulgar o resultado das investigações e os laudos da perícia do celular da funcionária”, finalizou.  

Dentista preso por pornografia infantil é solto na Capital

O dentista, de 52 anos, que não teve o nome divulgado, preso com material de pornografia infantil na manhã de terça-feira (31), foi solto após passar por audiência de custódia, ontem.  

Embora o auto de prisão em flagrante já havia sido expedido com pedido de prisão preventiva, o investigado poderá responder o processo em liberdade, por decisão do juiz Francisco Vieira de Andrade Neto.  

Para determinar a soltura, o juiz alegou que o investigado tem emprego fixo e não oferece risco para a sociedade nem para o curso processual. Por envolver menores de idade, o processo  tramita em segredo de Justiça.  

A prisão foi feita em flagrante e, em entrevista coletiva na terça-feira, a delegada titular da Depca, Fernanda Mendes, confirmou que, em depoimento, o acusado confessou que baixava os vídeos de pornografia infantil, mas alegou que fazia isso para poder “orientar” suas filhas sobre abuso sexual infantil, além de assistir ao conteúdo por “curiosidade”.  

Foram apreendidos quatro CPUs, um HD e um celular, nos quais a perícia conseguiu localizar mais de 200 vídeos de pornografia infantil, além de material pornográfico envolvendo mulheres e zoofilia.

De acordo com a psicóloga Izabelli Coleone, a pedofilia é classificada como um distúrbio comportamental, responsável por alterar as funções emocionais. “É uma doença que, normalmente, acaba sendo um pouco mais exposta no período da adolescência para a fase adulta”, salientou.  

Conforme a especialista, o distúrbio pode ter origem na relação do pedófilo com o seu núcleo familiar. “Muitas vezes, pessoas que têm doenças mentais não são observadas pelo contexto familiar, o que impede que haja tratamento para o convívio no meio social”, pontuou. (Colaborou Ana Clara Santos)

SAIBA

Para denunciar qualquer tipo de abuso ou violência sexual contra crianças ou adolescentes, as vítimas podem recorrer ao Disque 100, serviço gratuito e disponível 24 horas; ao canal 180, para o enfrentamento à violência contra a mulher; ou ao 190, da Polícia Militar. 

Fonte Correio do Estado

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