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Bancos centrais americano e brasileiro elevam taxa de juros para conter inflação

Em meio aos impactos da guerra na Ucrânia sobre a economia global, o Federal Reserve – Banco Central norte-americano – elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira (15) para conter o salto da inflação e projetou desaceleração da economia e aumento do desemprego nos próximos meses,

seguindo o mesmo caminho o Banco Central (BC) brasileiro continuou a apertar os cintos na política monetária. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, de 12,75% para 13,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Fed Banco Central norte-americano promove maior alta dos juros desde 1994

Essa foi a maior alta desde 1994, adotada depois de dados recentes mostrarem pouco progresso na batalha do banco central para conter a inflação.

Autoridades do BC norte-americano indicaram uma trajetória mais rápida de aumentos nos custos de empréstimos à frente, alinhando mais de perto a política monetária a uma mudança acelerada nesta semana nas visões do mercado financeiro sobre o que será necessário para controlar as pressões de preços.

“A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços de energia mais altos e pressões de preços mais amplas”, disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em seu comunicado ao fim de dois dias de reunião de política monetária.

“O comitê está fortemente comprometido em levar a inflação de volta a seu objetivo de 2%.”

chair do Fed, Jerome Powell, em uma coletiva de imprensa após a decisão, disse que os formuladores de política monetária “chegaram à visão” de que precisavam antecipar mais as altas dos juros para levá-los a uma faixa mais neutra mais rapidamente. “75 pontos-base pareciam a coisa certa a fazer nesta reunião, e foi o que fizemos.”

Além disso, Powell afirmou que um incremento de 0,75 ou 0,50 ponto percentual será “muito provavelmente” o resultado apropriado da próxima reunião do banco central no final de julho. Ainda assim, Powell disse não esperar que aumentos do tamanho do aperto de 0,75 ponto percentual adotado nesta quarta-feira sejam “comuns”.

O movimento desta quarta elevou a taxa de juros de curto prazo a uma faixa entre 1,50% e 1,75%, e as autoridades do Fed projetaram aumento a 3,4% até o fim deste ano (pela mediana das estimativas) e a 3,8% em 2023 –mudança substancial em relação às projeções em março que colocavam os juros a 1,9% neste ano.

A política monetária mais rígida foi acompanhada de uma piora na perspectiva econômica pelo Fed, com projeção agora de que a economia desacelere a uma taxa de 1,7% (abaixo da tendência), a taxa de desemprego suba a 3,7% até o fim do ano e chegue a 4,1% em 2024.

Embora nenhuma autoridade tenha estimado recessão, as projeções econômicas caminham para zero em 2023, com os juros devendo cair em 2024.

Desde março, quando as autoridades do Fed projetaram que poderiam elevar os juros com a taxa de desemprego permanecendo em torno de 3,5%, a inflação permaneceu em uma máxima de 40 anos, sem sinal de tenha alcançado o pico que as autoridades do Fed esperavam que chegasse ainda neste primeiro semestre.

Mesmo com as ações mais agressivas de juros adotada nesta quarta-feira, as autoridades ainda veem a medida preferida de inflação do Fed, o índice PCE, em 5,2% neste ano, desacelerando apenas gradualmente a 2,2% em 2024.

Copom eleva juros básicos da economia brasileira para 13,25% ao ano

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, de 12,75% para 13,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Apesar de o aumento em 0,5 ponto ter ficado dentro do previsto, o Copom surpreendeu o mercado, ao anunciar que pretende continuar a elevar a taxa Selic nas próximas reuniões. Até agora, a maioria dos analistas financeiros apostava que os juros básicos ficariam em 13,25% ao ano até o fim de 2022.

“Para a próxima reunião, o Comitê [de Política Monetária] antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. O comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, destacou o Copom em comunicado.

A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017, quando estava em 13,75% ao ano. Esse foi o 11ª reajuste consecutivo na taxa Selic. Apesar da alta, o BC reduziu o ritmo do aperto monetário. Depois de dois aumentos seguidos de 1 ponto percentual, a taxa foi elevada em 0,5 ponto.

De março a junho do ano passado, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião. Com a alta da inflação e o agravamento das tensões no mercado financeiro, a Selic foi elevada em 1,5 ponto de dezembro do ano passado até maio deste ano.

Com a decisão de hoje (16), a Selic continua num ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. A Selic voltou a ser reduzida em agosto de 2019 até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador fechou em 11,73% no acumulado de 12 meses, no maior nível para o mês desde 2015. Apesar da queda no preço da energia elétrica, por causa do fim das bandeiras tarifárias, a inflação continua pressionada pelos combustíveis.

O valor está bastante acima do teto da meta de inflação. Para 2022, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5% neste ano nem ficar abaixo de 2%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que o IPCA fecharia 2022 em 7,1% no cenário base. A projeção, no entanto, está desatualizada com o prolongamento da guerra entre Rússia e Ucrânia , que elevam a cotação do petróleo. A nova versão do relatório será divulgada no fim deste mês.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 9%. A pesquisa está suspensa por causa da greve dos servidores do Banco Central, mas uma atualização foi divulgada na semana passada.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 1% para a economia em 2022.

O mercado projeta crescimento um pouco maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) neste ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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