Como o ambientalismo pode matar o mundo de fome - Bolsão em Destaque de Três Lagoas
Agropecuária

Como o ambientalismo pode matar o mundo de fome

Por trás das crises no Sri Lanka e na Holanda, está a agenda globalista que privilegia o “meio ambiente” e trata o homem como problema. Agronegócio brasileiro pode ser a bola da vez

Há menos de duas semanas, em meio a uma terrível crise financeira, o povo do Sri Lanka invadiu a residência presidencial num ato de fúria, obrigando o presidente Gotabaya Rajapaksa a fugir do país. O caos social e financeiro foi retratado da maneira mais chapa-branca possível por toda a velha mídia, e o motivo era só um: a agenda ambientalista, promovida pelos patrões da grande mídia, destruiu a agricultura do Sri Lanka.

O secretário de estado americano Antony Blinken se apressou a culpar a guerra da Ucrânia pela situação. Numa coletiva em Bangkok, ele afirmou o seguinte: “Estamos vendo o impacto dessa agressão russa ocorrendo em todos os lugares. Pode ter contribuído para a situação no Sri Lanka; estamos preocupados com as implicações em todo o mundo”.

Existe, de fato, uma possibilidade de a guerra ter alguma influência no que aconteceu, mas como um coadjuvante, no máximo, de uma crise que já tinha sua origem há cerca de um ano antes da guerra: o presidente do Sri Lanka impôs um banimento de defensivos agrícolas e fertilizantes químicos e em pouco tempo transformou toda a agricultura tradicional do país em agricultura orgânica.

Isso pode soar como o paraíso na terra para quem pode pagar o dobro do valor pelo seu chá verde orgânico na sessão gourmet do supermercado, mas não é bem assim para os que estão na outra ponta: o pequeno e médio agricultor que foi obrigado pelas forças de uma elite global a mudar todo o manejo de suas terras.

A agricultura orgânica tem custos maiores e é mais trabalhosa, oferece mais riscos devido à maior exposição às pragas e à menor resistência da lavoura às intempéries e – apesar de ter um valor final mais elevado – para o lavrador ela é menos lucrativa quando o orgânico não é parte de um projeto que parte de iniciativa própria, pois mesmo que haja um pequeno aumento do valor por saca, isso não compensará a baixa produtividade.

Em 2018, Rajapaksa, o presidente fujão do Sri Lanka, escreveu um artigo intitulado “É assim que eu deixarei o meu país rico até 2025”, onde ele salientava que a revolução econômica que pretendia implementar no seu país passava por políticas ambientais radicais. O artigo foi publicado no site do Fórum Econômico Mundial e foi citado numa postagem na conta oficial da instituição no Twitter, em 18 de setembro de 2018.

O Sri Lanka era, aliás, constantemente elogiado pela turma de Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial, como exemplo na implementação da agenda ambientalista. Rajapaksa, uma espécie de lacaio de Schwab, converteu-se no garoto propaganda da Revolução Verde durante os anos seguintes.

O resultado não poderia ser pior: agricultores relataram que a safra em 2021 foi reduzida, chegando a 1/6 do que era antes em certos casos. Numa reportagem da agência Reuters de 3 de março, o agricultor W.M. Seneviratne, de 65 anos que trabalha no campo desde criança, afirmou o seguinte:

“Não me lembro de nenhum momento no passado em que tivemos que lutar tanto para obter uma colheita decente. No ano passado, colhíamos 60 sacas desses dois acres de terra. Mas desta vez foram apenas 10”.

Só o fato do artigo de ex-presidente do Sri Lanka ter sido apagado do site do Forum Econômico Mundial e da grande imprensa ignorar a relação entre a crise econômica e as políticas ambientais já seria motivo suficiente para desconfiar da eficácia da agenda verde e das intenções de quem as implementa e as fomenta. Mas há uma série de questões nebulosas nessa história que merecem ser discutidas.

Podemos começar nos perguntando por que órgãos internacionais fazem tanto lobby para uma política na agricultura que  privilegia o “meio ambiente” e trata o homem como um problema.

Se o homem é um problema, o povo do Sri Lanka morrer pela fome ou pela violência gerada a partir da convulsão social seria então um resultado esperado?


O caso dos fazendeiros holandeses

Outra questão é: por que não há qualquer menção à obvia correlação entre os protestos dos fazendeiros holandeses e os protestos no Sri Lanka?

No início de julho, produtores rurais na Holanda organizaram manifestações contra as novas regras ambientais do seu governo, que pretende impor cortes em níveis impraticáveis na emissão de óxido de nitrogênio e amônia nas fazendas do país. A decisão foi tomada pela Suprema Corte da Holanda à base do mais famigerado ativismo judicial.

Se levadas a cabo, as políticas ambientais na Holanda podem levar 30% das fazendas do país à falência, além de desorganizar toda cadeia produtiva e abrir as portas para o desabastecimento. Tudo isso para seguir as ordens da ONU, da Comunidade Europeia e da Agenda 2030.

A relação com o que houve no Sri Lanka é óbvia, com a diferença de que, na Holanda, o levante popular começou antes da implementação do desastre.

Já se fala em protestos de agricultores também na Alemanha, Itália e Polônia. Não é o tradicional protesto implorando subsídios do governo que costumamos ver na Europa, mas protestos contra a tal política verde extremamente restritiva para o produtor.


Ameaças ao agronegócio brasileiro

Longe de ser um problema externo, há outra questão muito relevante para nós: a influência fortíssima da Agenda 2030 no governo brasileiro, principalmente no Ministério da Agricultura do Brasil.

O Brasil já possui uma das legislações ambientais mais duras do mundo. Temos a imposição estatal de se manter uma área de reserva nas propriedades privadas rurais, a famosa ARL (Área de Reserva Legal) que varia entre 20% a 35% em boa parte do país, mas que pode chegar a absurdos 80%  na região Norte, parte do Centro-Oeste e Maranhão.

Isto é, o dono da terra só pode utilizar 20% de sua propriedade rural em boa parte do Estado de Rondônia, por exemplo, um dos estados mais promissores no agronegócio, com um imenso potencial pecuário e agrícola, sem tantos problemas de logística e escoamento rodoviário quanto os vizinhos Amazonas e Acre, mas com políticas ambientais que tornam impossível um agronegócio produtivo e lucrativo para o pequeno e médio produtor.

Fora a pesada ARL, o programa ABC, agricultura da baixo carbono, que é uma linha de crédito para adequação dos produtores à agenda 2030, já é uma amostra dos problemas que podem surgir se a questão deixar de ser um mero incentivo à adequação e tornar-se uma imposição regulada por lei restritiva, como ocorreu no Sri Lanka e está ocorrendo na Europa.

As megaempresas da área, como JBS e BRF, podem tranquilamente pagar todos os custos para se adequar a toda as imposições legais. Não só podem, como estão sempre agindo em parceria com entidades estrangeiras e supranacionais para patrocinar essa agenda no Brasil, como no Global Agribusiness Forum , evento do agro em São Paulo que reúne a elite do setor, além de banqueiros chineses e políticos progressistas.

Independentemente de discutirmos o quão válidas são essas adequações ambientalistas e quão baseadas realmente em ciência ou em interesses políticos elas realmente são, a conta simplesmente não vai fechar para os pequenos e o médios produtores rurais. Não dá para arcar com os custos dessa adequação sem, na melhor das hipóteses, entrar num perigoso processo de endividamento. E caso consiga tal proeza, não conseguirá ter margem de lucro para competir com os grandes num ambiente de alta regulamentação, já que boa parte dos preços das commodities agropecuárias são comandados pela bolsa de valores, que é comandada pelas mega empresas do ramo. 

É pouco provável que o Brasil realmente entre em um quadro de colapso como o pobre Sri Lanka. A situação da Holanda também difere em certos aspectos práticos daqui, afinal a Holanda não é de modo algum um dos principais celeiros do mundo, como é o nosso caso.

O resultado da agenda ambientalista no Brasil, porém, se não houver qualquer reação por parte de políticas mais conservadoras do governo, será um paraíso do oligopólio para as gigantes JBS, BRF, Nestlé, Piracanjuba, Lactalis, Cargill, etc. Uma receita muito benquista pelos que defendem um capitalismo de compadrio, ao modelo globalista, criando um híbrido medonho de políticas públicas e privadas que regularão o mercado, sempre geridas por um estado controlado por megacorporações.

O saldo geral para o planeta será desalentador. Mais fome e violência nos países subdesenvolvidos, oligopólios e paraísos metacapitalistas nos países mais desenvolvidos e países intermediários e com territórios grandes, como o Brasil, transformados em um fazendão da elite mundial que sustentará o mundo dos sonhos dos figurões da ONU e do Fórum Econômico Mundial.

Não seria exagero dizer que isso nos lembra as políticaa de eugenia do início do século XX, afinal, o ápice da agenda verde será a redução de boa parte dos indesejavelmente pobres, que não poderão se adequar à nova ordem, a manutenção de uma quantidade de pobres desejáveis para o trabalho mais pesado e uma elite que decide o que melhor para aqueles que “não terão nada, mas serão felizes”.

Fonte Brasil Sem Medo

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