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‘Musa do lockdown’, primeira-ministra de esquerda da Nova Zelândia renuncia

Responsável por isolamentos mais severos durante a pandemia de covid-19, Jacinda Ardern não explicou por que vai deixar o cargo

Autora de um dos lockdowns mais rígidos em países democráticos durante a pandemia de covid-19, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou que irá renunciar ao cargo nos próximos dias. Em mensagem nesta quinta-feira, 19 (noite da quarta-feira, no horário de Brasília), exibida pela TV neozelandesa, Jacinda disse que não vai se candidatar à reeleição e que deverá renunciar até o começo de fevereiro.

Ela não explicou os motivos que levaram à decisão, mas disse que “não tem mais combustível para seguir na carreira”, e afirmou que acredita na vitória do Partido Trabalhista, sua legenda, nas próximas eleições, em outubro.

“Eu sei que haverá muita discussão após esta decisão sobre qual foi o chamado motivo ‘real’. O único ângulo interessante que você encontrará é que, depois de enfrentar seis anos de grandes desafios, eu sou humana. Os políticos são humanos. Damos tudo o que podemos, pelo tempo que pudermos, e então é a hora. E, para mim, é a hora”, disse Jacinda, de 42 anos.

Há pouco mais de um mês, foi instaurada na Nova Zelândia uma Comissão Real de Inquérito, o mais alto grau de investigação do país, para analisar como o país governado por Jacinda desde 2017 lidou com a pandemia.

Com duros confinamentos, a Nova Zelândia registrou apenas 19 mil casos e 53 mortes até fevereiro de 2022. Porém, os números dispararam. No começo de dezembro, quando a comissão foi instaurada, já eram quase 2 milhões de casos e mais de 2,2 mil mortes.

Segundo ela, no comunicado, apesar de sua renúncia ao cargo de primeira-ministra, “as questões que mais afetam os neozelandeses continuarão sendo o foco do governo durante este ano e nas eleições”.

Com a renúncia, Jacinda deixará o cargo de líder do Partido Trabalhista até o dia 7 de fevereiro, mas continuará com a vaga de deputada até outubro, quando serão realizadas as eleições parlamentares. O partido deverá decidir, nos próximos dias, quem presidirá a legenda e será, portanto, o novo primeiro-ministro.

Ela governou a Nova Zelândia durante a pandemia de covid-19 e a recessão subsequente, o tiroteio na mesquita de Christchurch e a erupção de um vulcão na Ilha Branca.

O líder do Partido Nacional, Chris Luxon, estava entre os que agradeceram a Ardern “por seus serviços à Nova Zelândia”.

“Ela deu tudo de si neste cargo que é incrivelmente exigente”, escreveu o líder da oposição no Twitter.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, descreveu Ardern como uma líder de intelecto, força e empatia.

“Jacinda tem sido uma defensora feroz da Nova Zelândia, uma inspiração para muitos e uma grande amiga para mim”, escreveu ele.

O líder do Canadá, Justin Trudeau, disse que ela fez uma diferença “imensurável” para o mundo.

Mas enquanto no resto do mundo Ardern era vista como uma estrela política, as pesquisas entre eleitores neozelandeses sugerem que ela estava se tornando cada vez mais impopular.

Ela liderou o Partido Trabalhista em uma vitória esmagadora nas eleições de 2020, aproveitando da imagem positiva que seu governo teve pela forte reação à pandemia.

Mas as últimas pesquisas de opinião indicam que sua popularidade está no pior nível desde que foi eleita.

No ano passado, Ardern disse à BBC que sua popularidade em declínio foi o preço que seu governo pagou para manter as pessoas protegidas da covid-19.

Ela também enfrentou uma crise inflacionária, o aumento da criminalidade e a insatisfação com o acúmulo de promessas eleitorais que foram adiadas durante a pandemia.

A reação ao anúncio de Ardern na quinta-feira foi variada. Uma moradora de seu próprio eleitorado de Auckland disse ao jornal NZ Herald que Ardern estava “fugindo antes que seja expulsa”, culpando-a pelo aumento da criminalidade e do custo de vida.

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